Cileide Silva, 39 anos, 4 filhos, foi a primeira mulher a se beneficiar com a Lei Maria da Penha. Com a ajuda da equipe do Centro de Mulheres do Cabo, organização parceira da ActionAid em Pernambuco, ela conseguiu por fim a 20 anos de violência doméstica.
“Eu tinha uma vida muito difícil, sofria um bocado na mão do marido, apanhava, passava necessidade, trabalhava só para ele. Era uma vida arrasada”, conta.
Moradora da comunidade de Barbalho, em Cabo de Santo Agostinho, Cileide sentiu as transformações na sua própria vida a partir da criação da União de Mulheres, uma associação criada com o apoio da ActionAid para buscar soluções para os principais problemas do local, como o acesso à água.
A mobilização feminina trouxe melhorias para o local após estabelecer diálogo com o poder público e criou laços de solidariedade entre os vizinhos, gerando um sentido de comunidade que antes não existia.
Da violência para a denúncia
Foi em uma visita à casa de uma das fundadoras da União de Mulheres (cuja sede e as fundadoras estão na foto ao lado), que a filha mais velha de Cileide soube que a Lei Maria da Penha poderia dar um basta às agressões e violações sofridas por sua mãe constantemente. A lei pune os agressores das mulheres em casos de violência doméstica e institui medidas de proteção e preventivas, como, por exemplo, afastar o agressor do lar.
Munidas de coragem e de uma estratégia para que o marido não percebesse, mãe e filha foram ao Centro das Mulheres do Cabo receber orientações sobre como denunciar. Na volta para casa, elas foram surpreendidas pelo homem furioso que depois de quebrar a casa toda, agredir Cileide e deixar a filha toda cortada com um espelho quebrado, foi trabalhar como se nada tivesse acontecido.
Imediatamente, Cileide pediu socorro à equipe do Centro das Mulheres do Cabo. Veio a polícia, foram feitos os curativos e exames e ele foi preso em seu local de trabalho. Aquele era o primeiro dia de vigência da Lei Maria da Penha e foi o primeiro dia de liberdade na vida de Cileide.
“Chegamos na delegacia e escutamos aquela mesma história: ‘Isso é briga de casal, amanhã estão juntos de novo’. Mas o pessoal do Centro das Mulheres do Cabo estava lá para nos apoiar e provaram que a lei já estava em vigor”, conta ela.
Fim da impunidade
O agressor foi condenado a 4 meses de prisão e impedido pelo juiz de se aproximar de Cileide e seus filhos. Hoje ele está em liberdade e não ousa ameaçar mais a ex-mulher.
"Depois do que aconteceu comigo, outras mulheres tiveram mais liberdade, pois os maridos passaram a ficar mais temerosos”, conta.
Para aquelas que têm medo de denunciar porque são dependentes dos maridos, Cileide aconselha: “Você sobrevive e vive até melhor. Eles têm a mania de falar que você não sabe viver sozinha, que vai passar fome, que ninguém vai lhe querer por causa dos filhos. Mas não bote isso na cabeça. De que adianta ter um bom prato de comida, se vai estar tão angustiada que não vai conseguir comer? Um bom vestido no guarda roupa, se não vai poder usar na rua porque vai estar com o olho roxo, com a boca cortada? Então, tome uma iniciativa, faça isso você mesma. Ainda mais agora, que a mulher tem chance e oportunidade, que a mulher é gente”.
Há 25 anos, o Centro das Mulheres do Cabo é uma referência no trabalho com o atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, como Cileide.
“Nossa atuação tem sido tanto no acolhimento e orientação psicossocial e jurídica das vítimas quanto no fortalecimento das capacidades das mulheres de encontrarem alternativas para suas vidas. Os grupos de auto-ajuda são importantes nesse sentido”, afirma Nivete Azevedo, do Centro das Mulheres do Cabo.
Com a criação da Lei, a organização está focada em pressionar o poder público para ampliar os serviços como as delegacias especializadas e os centros de referência.
“A violência é uma barreira psicológica e moral para as mulheres que as impede de terem vidas produtivas e de se inserirem no mercado de trabalho. É um fenômeno que custa muito caro à sociedade”, ressalta Avanildo Duque, Coordenador Geral de Programas da ActionAid.
Convide um amigo! Convide seus amigos, familiares, vizinhos e colegas de trabalho para apadrinhar uma criança e mande para nós o contato. Com mais doadores, mais crianças e comunidades serão beneficiadas! Para indicar, ligue para o atendimento ao doador ActionAid (21) 2189-4654 ou mande um e-mail para atendimento@actionaid.org.
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