Diretamente da Suécia, mulheres apadrinham meninas alagoanas e ajudam a transformar a vida de todos nas comunidades. O novo projeto de desenvolvimento local da ActionAid em parceria com o Movimentos de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE) apresenta um proposta inovadora de criação de vínculos solidários entre doadoras e beneficiárias.
Em todo o mundo, são as mulheres as que mais sofrem com a negação de direitos básicos. A ActionAid desenvolve ações para a promoção da igualdade de gênero em mais de 47 países. No Brasil, a lei garante que cidadãs e cidadãos tenham os mesmos direitos. Entretanto, são elas as mais pobres dos pobres.
Na área rural, por exemplo, elas encaram jornadas de 16 horas por dia que incluem o cultivo da terra, a criação de animais e a produção de artesanato, mas representam somente 12% das proprietárias de terra e são apenas 7% dos beneficiários dos programas de crédito para a Reforma Agrária.
Na Suécia, foi criado um projeto piloto de apadrinhamento exclusivo para meninas.
“A ActionAid coloca as mulheres e meninas no coração de seu trabalho ao redor do mundo, além de abraçar a causa do direito das mulheres como uma de nossas metas”, explica Katinka Lindholm, da ActionAid Suécia.
Os meninos, entretanto, não ficarão de fora. Embora mais de dois terços das crianças cadastradas sejam de meninas, os garotos também poderão participar do projeto.
“A gente não vê esse tipo de vínculo solidário como discriminatório, mas sim como algo positivo, pois foi uma maneira mais efetiva de captar recursos que trarão benefícios para todos”, diz Célia Bartone, da ActionAid, responsável pelo sistema de doadores individuais internacionais.
As mulheres no centro da estratégia de combate à pobreza

Em Alagoas, o MMTR trabalha junto a 34 comunidades do litoral, da Zona da Mata e do Agreste para melhorar as condições de vida de trabalhadoras rurais e pescadoras. A criação de trabalho e geração de renda, a garantia de acesso à documentação e a formação de lideranças são algumas das ações implementadas pela organização.
Maria José da Silva, do MMTR-Al, e Zélia Marques, moradora do município de Piaçabuçu (na foto ao lado), mobilizam as mulheres da comunidade para participarem do projeto em parceria com a ActionAid.
Na região, devido à falta de oportunidades de trabalho, é comum que os homens migrem para lavouras de cana-de-açúcar distantes e para as cidades em busca de trabalho. São as mulheres que permanecem nas comunidades como as responsáveis pela sobrevivência da família.
Os recursos doados pelas mulheres suecas vão permitir a criação de grupos de produtoras nas comunidades para a venda da criação de pequenos animais provenientes de seus próprios quintais. |