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Os movimentos de mulheres fizeram bonito na marcha de abertura da oitava edição do Fórum Social Mundial realizado em Belém de 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009. Elas foram parte significativa de uma multidão de mais de 60 mil pessoas composta por representantes das nações indígenas, sindicatos e movimentos sociais diversos.
“Desde o primeiro Fórum, em Porto Alegre, houve uma participação numérica crescente das mulheres. Vê-se a participação mais efetiva delas nos painéis centrais, discutindo temas que costumavam ser ‘dominados’ pelos homens como políticas macroeconômicas, desenvolvimento e acordos comerciais”, afirma Alejandra Scampini (foto abaixo, à direita), coordenadora do Programa de Gênero da ActionAid na região das Américas.
Entre os temas que ganharam maior evidência nas atividades do Fórum estavam a violência contra a mulher e a luta pelo acesso a recursos naturais, como terra, água e sementes.
Quando as mulheres do campo encontram as da cidade

A luta das mulheres por moradia e a luta das camponesas pelo acesso à terra se uniram na oficina "As mulheres e o direito à terra e à moradia – acesso às políticas públicas" organizada pela União Nacional de Moradia Popular, organização parceira da ActionAid.
“É da maior importância que os movimentos de mulheres se aproximem de outros movimentos para poder fazer a agenda feminista avançar. Nesse sentido, o Fórum é um espaço privilegiado. O outro mundo possível que queremos não será feito por um modelo de um único grupo, mas por vários modelos”, avalia Scampini.
A ActionAid estimula a aproximação de grupos de mulheres de base com as articulações e redes feministas. Esse ano, o Fórum teve como tema a questão panamazônica, o que promoveu a interseção com temas ambientais e as identidades culturais, conectando desde lideranças indígenas, até camponesas de países como Paraguai, Chile, Peru, com as brasileiras de áreas rurais e urbanas.
Para as 20 quebradeiras de coco de babaçu do MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco de Babaçu), organização parceira da ActionAid presente nos estados do Pará, Piauí, Maranhão e Tocantins, o Fórum foi também uma experiência de gestão de recursos.
“Uma das questões que acho fundamental é a gente dar continuidade a capacitação das mulheres para gestão e o Fórum ajuda a fazer isso. Quando entregamos 9 caixas de azeite de babaçu para uma mulher vender, é muito bom que ela própria gerencie e preste contas do que fez. Quando fazemos reuniões com homens e mulheres, eles dizem que nos apóiam, mas na hora de tomar decisão, gerenciar, eles acham que estão melhor preparados”, diz a quebradeira Maria Adelina Chagas, Coordenadora do MIQCB.
Embora elas estejam cada vez mais presentes e atuantes na luta por direitos, as relações de poder entre homens e mulheres nos movimentos sociais ainda é uma questão a ser modificada para alcançar a sonhada igualdade de gêneros.
“Ainda precisamos aprofundar a análise sobre as relações de poder”, ressalta Scampini.
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