e-boletim nº 10 - Março de 2009   
Vencendo a mulher invisível
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As mulheres trabalhadoras rurais têm participado ativamente da construção de modelos sustentáveis de agricultura. Apesar disso, ainda sofrem com a invisibilidade de seu trabalho diário. Maria Emília Pacheco, assessora da Fase, organização parceira da ActionAid no Pará, fala sobre as conquistas e desafios para as mulheres que vivem no campo.

Qual é o papel da mulher trabalhadora rural no desenvolvimento de um modelo agrícola sustentável?
MP - As mulheres têm um papel histórico em relação às sementes. Elas são mais do que guardiãs das sementes: conservam, transformam, desenvolvem práticas de acordo com conhecimentos tradicionais que passam de geração em geração. Podemos dizer que elas são melhoristas também. Há uma lógica que associa várias razões de porque conservar e reproduzir uma semente. Os homens tendem a ver o valor comercial, o que a semente representa em termos de produtividade. As mulheres já consideram outros fatores e usos como o cozimento, a importância no preparo de alguns alimentos.

E que tipo de conservação e melhorias elas conseguem fazer?
MP - No Mato Grosso, vi um teste de sementes de café conservadas pelas mulheres para o auto-consumo. O objetivo era observar a capacidade de produção do café para, em seguida, plantar em maior quantidade associado a outros produtos. Esse cultivo no entorno da casa evita o desaparecimento da semente. Essa percepção dos usos sociais da biodiversidade, que é uma percepção em que o mercado deixa de ser o centro organizador, traz ensinamentos para pensar as propostas de políticas para o campo e também sobre o papel das mulheres.

Como as propostas de políticas públicas para a agricultura familiar tem considerado o papel das mulheres?
MP - Costumamos dizer que as políticas são cegas de gênero, não há percepção sobre o papel econômico da mulher e o que representa essa interação de auto-consumo e produção. A produção artesanal, a transformação dos produtos feitos artesanalmente, sejam frutos, fibras, o extrativismo, a produção agrícola e a produção de pequenos animais integram o sistema. Só com essa visão mais integrada é possível tirar da invisibilidade o papel das mulheres. Porém, é preciso mais para resolver o lugar subordinado que, em geral, as mulheres tem no sistema.

Qual é o caminho para que elas conquistem cada vez mais o reconhecimento de seu papel como sujeitos econômicos?
MP - É preciso que os trabalhos educativos reconheçam a importância da mulher, dirijam-se às mulheres e que elas participem ativamente das atividades de intercâmbio de experiências e educativas. Não há autonomia econômica na família sem distinguir quem participa da família.

 
A crise para quem vive do lado de baixo do Equador
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A ActionAid UK está realizando uma pesquisa para verificar o impacto da crise financeira nos países em desenvolvimento, compromentendo os esforços para a redução da pobreza da última década.

“Estamos focando nos custos provocados pelas perdas de trocas comerciais e pela redução de fluxo financeiro”, explica Meredith Alexander, da ActionAid no Reino Unido.

A pesquisa ainda irá destacar os diferentes níveis de exposição à crise financeira por meio de um “índice de vulnerabilidade”. Países de baixa e média renda são o alvo do estudo que inclui o Brasil, China, Gana, Índia, Mali, África do Sul e Uganda, onde a ActionAid está presente.

As notícias não são boas. As exportações caíram. Os fluxos de capital foram afetados de diversas formas. O crédito bancário foi reduzido, o dinheiro foi drenado do mercado de ações, os investimentos caíram e as grandes empresas se mostraram incapazes de levantar recursos com a venda de ações. Até mesmo as remessas de dinheiro enviadas por imigrantes para as famílias nos países de origem diminuíram.

“Os países menos desenvolvidos, como Mali, são menos vulneráveis à crise em alguns aspectos, mas isso não necessariamente é uma boa notícia. Mali é muito menos exposto aos fluxo financeiro internacional, isso provoca certa proteção à crise, mas, a longo prazo, faz com que se torne mais difícil acessar os recursos necessários para o desenvolvimento”, completa Alexander.

 
ActionAid chega ao Rio Grande do Norte
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A ActionAid inaugura uma nova área de desenvolvimento local no Rio Grande do Norte. A parceria com o Centro Feminista 8 de Março, organização parceira que atua na periferia de Mossoró e em comunidades e assentamentos rurais, tem o objetivo de contribuir com a formação, a organização e a mobilização das mulheres trabalhadoras rurais, fortalecendo a soberania alimentar e convivência com o semiárido.

A produção agroecológica, a economia solidária e a luta pelo acesso às políticas públicas são algumas das estratégias de desenvolvimento propostas pela organização junto às comunidades.

 
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