e-boletim nº 07 - Junho de 2008   
As mudanças climáticas e a pobreza
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Há consenso de que a ação humana é responsável pelas alterações no clima global. Como conseqüência, haverá o aumento do nível dos oceanos, a modificação no padrão das correntes marítimas e dos ventos e a maior freqüência de secas, enchentes e furacões.

Para Celso Marcatto, coordenador do Programa de Segurança Alimentar da ActionAid, as pessoas mais pobres serão as mais afetadas.

Quais são as conseqüências das mudanças climáticas para os países mais pobres?
CM - As alterações climáticas podem comprometer os poucos avanços obtidos nas últimas décadas na luta contra a fome e a desigualdade. Prevê-se a ampliação dos processos de desertificação; perdas freqüentes de safra; fome e migração provocadas pela escassez de água e de alimentos. São as regiões em desenvolvimento que vão sofrer maior impacto, pois já são freqüentemente afetadas pela alta variabilidade das condições de clima. Além disso, são dependentes da agricultura, um dos setores econômicos mais vulnerável às mudanças climáticas, e vão sofrer de forma mais intensa com a redução drástica das atividades produtivas.

O que é possível fazer para minimizar esse impacto?
CM - As soluções são possíveis já, e vão desde o comprometimento de governos, de grandes indústrias e de todos os cidadãos com a redução de emissão de gases responsáveis pelo aumento da temperatura global, até elaborar políticas públicas que, de fato, ampliem a capacidade das populações mais pobres de se adaptarem às mudanças que virão. Também é fundamental fortalecer alternativas de produção agrícola mais resistentes e sustentáveis.

Há exemplos dessas alternativas em curso?
CM - No Brasil, a ActionAid apóia muitas iniciativas de agricultores familiares denominadas agroecológicas que reduzem a dependência de produtos externos a partir do uso de métodos adaptados às condições locais, como secas, inundações, irregularidade das chuvas, baixa fertilidade dos solos, etc. No Nordeste, a construção de cisternas de placa e as barragens subterrâneas são exemplos de ações de conservação da água que viabilizam a convivência do agricultor com o clima da região. Outro exemplo são os bancos de sementes comunitários da Paraíba que incentivam o uso das variedades locais adaptadas aos desafios climáticos da região, uma forma de promover a conservação da diversidade de espécies. Na Zona da Mata de Minas Gerais, agricultores familiares incorporam árvores em suas lavouras, o que favorece a adubação do solo, mantém sua umidade, protege da erosão, além de fornecer lenha e madeira para as famílias. Estas experiências mostram que é possível aliar produtividade, com segurança alimentar e respeito ao meio ambiente.

 
Mobilização nacional pela lei do babaçu livre
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Desde abril, um abaixo-assinado eletrônico pede a preservação das palmeiras de babaçu em nível nacional. O pedido está endereçado ao Sr. Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara dos Deputados.

Para o governador do Maranhão, Jackson Lago, a petição pede o veto a um projeto de lei que permitiria a derrubada de palmeiras em áreas urbanas. Nas pequenas vilas da área rural maranhense, esse projeto resultaria em mais fome e pobreza para as quebradeiras de coco. Não há limite claro entre o urbano e o rural nesses locais e essas palmeiras são as mais acessíveis para as quebradeiras que não possuem terra para plantar.

A prioridade na votação da Lei do Babaçu Livre em nível nacional e o veto a uma lei estadual maranhense são medidas fundamentais para garantir a sobrevivência para mais de 400 mil quebradeiras de coco nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.

Elas colhem e quebram o coco de babaçu, de onde extraem as amêndoas e produzem um óleo nobre usado na alimentação e na cosmética, além de aproveitarem a casca e outras partes do fruto. A venda da amêndoa e do óleo é uma das poucas fontes de renda dessas mulheres.

Para participar, basta clicar aqui e assinar a petição.

 
ActionAid leva ajuda humanitária a Mianmar
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A ActionAid está captando recursos internacionalmente para levar ajuda aos sobreviventes do ciclone Nargis que destruiu cidades inteiras em Mianmar no início do mês de maio. Cerca de 78 mil pessoas morreram, 56 mil estão desaparecidas e 2,5 milhões foram atingidas diretamente.

“De acordo com a escala desse desastre, é certo que esta situação de emergência vai demandar esforços significativos para salvar vidas e ajudar a reconstruir as dos sobreviventes”, avalia Ramesh Singh, diretor da ActionAid Internacional.

Doações de indivíduos, fundações e governos estão sendo utilizadas para construção de abrigos, atendimento médico, aquisição e distribuição de alimentos e água potável.

Três organizações parceiras da ActionAid, a KDN, Pact Mianmar e Mianmar Egres, estão atuando nas áreas mais afetadas no Delta do Irrawaddy, onde 90% das casas foram destruídas e 70% dos habitantes estão desaparecidos ou mortos.

Além de seus três parceiros locais, a ActionAid também faz parte do Comitê de Emergências e Desastres (DEC) que reúne outras 12 organizações internacionais. Juntas fornecem ajuda humanitária para mais de 350 mil pessoas.

 
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