e-boletim nº 09 - Dezembro de 2008   
  Educação ambiental não é brincadeira
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Aquecimento global, queimadas, transmissão da dengue e reciclagem de lixo são alguns dos assuntos de gente grande que são debatidos pelas turmas de crianças que fazem parte dos Clubinhos da Árvore, criados pela Comsef, organização parceira da ActionAid, em seis comunidades do município de Orobó, em Pernambuco.

São mais de 600 crianças envolvidas em atividades de educação ambiental como o cultivo de hortas, mudas de árvores frutíferas e artesanato com materiais recicláveis. Tudo começou com as coletas de mensagem para os doadores organizadas pela Comsef.

“A gente pensou em fazer um trabalho mais continuado que pudesse desenvolver temas como educação ambiental, direitos e que durasse o ano todo”, conta Zorayde Lourenço, coordenadora do projeto na Comsef.

Em 2006, foi criado o primeiro clubinho. No ano seguinte, as crianças de outras três comunidades e seus pais se animaram e também criaram os seus próprios clubinhos.

Cada clubinho se reúne aos sábados, a cada 15 dias, é composto pelas crianças e jovens, possui estatuto próprio e diretoria eleita com presidente, vice-presidente e secretária. O objetivo é aumentar a consciência de todos na comunidade sobre os cuidados com o meio ambiente
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Consciência ecológica

“Para poder preservar a natureza, tem que saber como. O primeiro passo é saber o que cada um pode fazer: não poluir, não fazer queimadas, não desmatar e plantar árvores”, conta Tainara Gomes da Silva (foto ao lado), 13 anos, coordenadora do clubinho Salva o Meio Ambiente, de Pirauá.

Desde os 4 anos de idade, Tainara participa do Apadrinhamento da ActionAid e escreve mensagens para o doador com quem está vinculada. Ela começou a fazer parte do clubinho de Pirauá e chamou a atenção por sua capacidade de liderança.

“Os clubinhos não são só brincadeira. Aos poucos, vão discutindo o que é educação de qualidade, o que é saúde de qualidade e o que são os direitos. Se quando são crianças já estão falando nisso, imagina quando ficarem jovens e adultos? Os poderes públicos que se cuidem!”, avalia José Francisco da Silva, diretor da Comsef.

A lição aprendida pelas crianças extrapola o espaço dos clubinhos e é levada para casa.

“Muitos pais aprendem com os filhos que não podem desmatar e que se derrubarem uma árvore, devem plantar outra”, conta Maria Anália Gomes da Silva, mãe de Tainara.

As atividades dos clubinhos, como os viveiros de mudas de árvores frutíferas, combinam-se com o sistema de produção agroecológica difundido na região pela Comsef, o que possibilita ao agricultor familiar uma produção ambientalmente sustentável, sem agrotóxicos.

“Apoiar essa iniciativa significa mudar a vida de pessoas que durante muitos anos foram preconceituosamente taxadas de sem cultura e poluidoras do meio ambiente. As crianças aprendem o valor de serem agricultores, que abandonar o campo pode ser uma grande ilusão, que tem direitos e que devem se organizar para alcançá-los.”, analisa Ana Paula Ferreira, da ActionAid.

 
© Mariana Leal/ ActionAid/ Brasil
 
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