As mensagens escritas pelas crianças que participam do Apadrinhamento da ActionAid tem ajudado a diagnosticar a qualidade da educação oferecida em comunidades pobres.
Uma pesquisa realizada pelo Centro de Mulheres do Cabo (CMC), organização parceira da ActionAid em Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, está sendo usada para mostrar ao poder público as principais deficiências das escolas da região. O município só oferece vagas na escola para crianças a partir dos 6 anos.
“Sempre que reunimos as crianças para escrever as mensagens, notamos sérias limitações na capacidade de escrever, então decidimos fazer alguma coisa para que o futuro dessas crianças e jovens não fosse comprometido”, conta Sara Jorge, 29 anos, estudante de pedagogia e educadora do CMC.
A equipe preparou algumas perguntas para as cerca de 800 crianças de 6 aos 15 anos, que participam do apadrinhamento da ActionAid, sobre a importância da educação para elas, a relação com a escola, a matéria favorita, a realização de tarefas escolares e o que gostariam que sua escola tivesse.
“Constatamos uma grande dificuldade por parte de crianças e até adolescentes em escreverem seus textos sozinhos, necessitando que as educadoras fossem ditando as letras de cada palavra”, conta Sara.
O dado mais preocupante foi a incapacidade total de 17% das crianças de escrever uma mensagem simples. A falta de infra-estrutura na escola e de apoio familiar para desenvolver tarefas escolares foram outros fatores que apareceram nas respostas das crianças que também podem explicar o porquê do fracasso da escola.
Cobrando resposta do poder público
A fim de conseguir uma resposta do governo, a pesquisa foi levada ao Conselho Municipal de Educação, à secretaria municipal de educação e à direção das escolas.
“A pesquisa trouxe à tona o que já percebíamos como educadores. Serve para repensar os investimentos que têm sido feitos na área e mostra que precisamos fazer um monitoramento dos resultados nas escolas”, afirma Gildeneide Fialho, secretária de Educação do Cabo de Santo Agostinho e presidente do Conselho.
Além de envolver outras organizações, como o Fórum de Entidades Populares, na cobrança por melhores condições para a educação, ainda há planos de realizar uma pesquisa semelhante em outros municípios onde o Centro de Mulheres do Cabo atua.
“Esse trabalho de avaliar as habilidades das crianças na elaboração de conteúdos das mensagens para os doadores e, dali, extrair uma raio x da situação da educação na comunidade é uma forma de fortalecer a defesa do acesso à educação”, afirma Avanildo Duque, Coordenador do Programa de Educação da ActionAid.
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