e-boletim nº 12 -Setembro de 2009   
  Alimentação saudável na escola e no próprio prato
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Com a nova lei da merenda escolar (saiba mais) os agricultores familiares terão a chance de ampliar ainda mais seus mercados e sua produção. Até 30% dos alimentos consumidos nas escolas deverão ser provenientes da agricultura familiar.

“A nossa maior dificuldade é a comercialização. A compra garantida é um incentivo para aumentar a produção, fazer pequenos investimentos e até ampliar a oferta de produtos e buscar novos mercados”, diz Aparecido de Souza, agricultor familiar do Norte de Minas Gerais e presidente da Cooperativa Grande Sertão.

Apoiada pelo Centro de Agricultura Alternativa, organização parceira da ActionAid na região, a Cooperativa reúne agricultores familiares de mais de 15 municípios. Desde 2005, a Cooperativa fornece produtos sem agrotóxicos para para a Companhia Nacional de Abastecimento através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compra dos agricultores para distribuir em escolas, hospitais e creches.

O PAA é uma outra modalidade de compras feitas pelo governo, muito semelhante à nova lei que inclui a agricultura familiar como fornecedor da merenda escolar, mas totalmente independente.

No Norte de Minas, esse tipo de compra garantida pelo governo promoveu uma verdadeira transformação na vida dos agricultores. A cada ano são comercializados cerca de 1 milhão de reais por meio da Cooperativa Grande Sertão.

A cada mês, Aparecido e sua família conseguem obter cerca de R$400 com a comercialização de frutas, um valor próximo da renda média de quem vive em áreas rurais no Brasil que é de R$404 (Dieese, 2004). Antes de ter um mercado garantido para sua produção, só podia contar com o que vendia nas feiras, o que significava cerca da metade da renda atual.

Com um mercado garantido, a qualidade e a diversidade da alimentação melhorou, não só para a venda, mas também para o autoconsumo.

Mulheres com dinheiro na mão

Às margens do Rio São Francisco, na Bahia, na Colônia de Pescadores de Remanso, 36 mulheres pescadoras sentem o gosto de ter o próprio dinheiro e planejam ampliar ainda mais as atividades produtivas.

“Antes, a vida era só cuidar dos filhos, ir pescar e ajudar o marido. O dinheiro ficava todo na mão deles. Só o fato de poder decidir como usar o dinheiro de nosso trabalho, sem ter que dar satisfação, é uma transformação e tanto”, conta a pescadora Eliete Damião, 32 anos.

A mudança aconteceu em 2006 quando a cooperativa passou a fornecer para o PAA, graças à orientação técnica do Sasop, organização parceira da ActionAid no local.


Divididas em grupos, limpam e preparam o pescado e o entregam todos os dias para o consumo em escolas, delegacias e centros comunitários.

A cada mês, o grupo fornece cerca de 1800 kg de pescado a R$6,5/kg, o que significa um volume de R$11.500,00. Com o trabalho, Eliete recebe cerca de R$200,00, parte significativa da renda total da família de R$900.

“Antes a gente só comia peixe, arroz e feijão. Hoje, com dinheiro na mão, podemos comer mais saladas e frutas”, diz.

A possibilidade de ampliar o mercado e fornecer alimentos da merenda escolar diretamente para as prefeituras faz com as pescadoras de Remanso não parem de sonhar e se preparar para uma vida melhor.

“Estamos nos preparando para ampliar os produtos, melhorar nossa estrutura e fundar a nossa própria associação”, conta.

 
© André Telles/ ActionAid/ Brasil/BA
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