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Juliana dos Santos, 7 anos, e seu irmão Moisés, 4 (na foto ao lado), não sabem ainda o que é o direito à alimentação nem agroecologia, mas sabem bem o que é ter uma alimentação de qualidade em quantidade suficiente todos os dias. Eles são os filhos mais novos da família de Arcílio e Clotilde dos Santos (foto abaixo). Tudo o que vai para a mesa tem origem na pequena propriedade onde moram, na comunidade da Vereda Funda, no cerrado do Norte de Minas Gerais.
Na horta próxima de casa, eles colhem feijão, beterraba, cenouras, couve e outras hortaliças. No quintal, uma pequena granja e uma variedade de árvores frutíferas que fornecem frutos e sombra, além de lenha para o fogão. “Aqui temos mais de 40 tipos de alimentos animais e vegetais, só de banana temos oito qualidades diferentes. A alimentação natural é qualidade de vida”, diz Arcílio.
A combinação de várias plantas garante uma dieta variada para a família e também ajuda a adubar o solo. Amoreiras crescem ao lado de abacaxis e pés de café, uma lição que Arcílio aprendeu com o próprio sogro e que, hoje, utiliza para aumentar a renda da família e produzir um tipo de café diferenciado: o café sombreado. Este tipo de produto tem características especiais e, por ser totalmente orgânico, consegue melhores preços no mercado.
Há dez anos, a rotina de Arcílio era deixar a família por 90 dias a cada ano para colher café no sul do estado. “Era duro assumir a responsabilidade de cuidar da casa, das crianças e da roça sozinha”, lembra Clotilde. Hoje, ele não precisa mais sair de casa para produzir e é um dos agricultores que difundem as técnicas de plantio sustentáveis, que não agridem o meio ambiente, como o café sombreado, na região.
A melhora na qualidade de vida da família é reflexo da parceria da ActionAid com o CAA-NM (Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas) que possibilita a realização do trabalho com agricultores familiares da região. É a partir do apadrinhamento de crianças do CAA-NM que este trabalho se torna possível. A região sofre impacto das monoculturas de eucalipto que comprometem as nascentes de água e, por conseqüência, a produtividade dos
agricultores. |
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Ervas Medicinais e quintais ao redor de casa
No agreste paraibano, a qualidade de vida dos agricultores familiares também se transformou com a agroecologia e as responsáveis são, principalmente, as mulheres. Em Solânea, Maria do Socorro Fernandes, a Zui, aprendeu que o espaço do quintal ao redor de sua casa poderia se tornar uma farmácia verde. Com a orientação da ASPTA, organização parceira da ActionAid, ela passou a cultivar plantas medicinais e hortaliças e seu quintal se tornou uma área de grande produtividade a partir da criação de pequenos animais, como cabras e galinhas.
"Hoje, não precisamos ir ao mercado comprar o frango e os ovos que comemos”, ressalta Zui, que vive com o filho adolescente e o marido. O tratamento de doenças corriqueiras como resfriados, indigestão e até mesmo dor nas costas é feito a base de plantas medicinais de uso tradicional, permitindo que a família utilize o dinheiro que iria gastar na farmácia para suprir outras necessidades.
Na região, que fica seca durante a maior parte do ano, o uso racional da água é fundamental para quem vive do que a terra dá. Com técnicas de manejo sustentável da água, como os canteiros econômicos, as barragens subterrâneas e a construção de cisternas de placa que armazenam a água da chuva, os agricultores familiares mostram que o Sertão não é só lugar de seca e miséria, mas de fartura e de proteção ao meio ambiente. A ActionAid apóia, desde 1999, o trabalho da ASPTA na Paraíba para o fortalecimento da agricultura familiar por meio da difusão de técnicas agroecológicas.
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